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Confrontos e agressões na USP

Posted by educarbrasil em junho 12, 2009

Segundo relato do Prof. Dr. Pablo Ortellado, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, os confrontos na USP, do dia 10 de  “atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação.”

O Prof Pablo que vivenciou os atos de violência ocorridos na Universidade de São Paulo, no dia 10 de junho, relatou que ouviu a explosão de uma bomba e aponta este fato como gravíssimo.

Pablo contou que presenciou uma manifestação pacífica das associações de funcionários, estudantes e professores em frente à Reitoria da universidade. Logo depois, funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para rejeitar a presença da polícia do campus.

Buscando presenciar os fatos, o professor acompanhou a organização até o portão 1, viu quando os estudantes e funcionários ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da Av. Alvarenga. Os integrantes da passeata integraram palavras de ordem e xingamentos contra a presença da polícia.

Pablo estimou que cerca de 1200 pessoas participavam desta manifestação. Depois deste momento, já na assembléia dos docentes da USP,realizada no prédio da História/ Geografia, Pablo conta que chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções.

A assembléia foi suspensa e todos foram para o estacionamento. Desceram as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto, buscando saber o que estava acontecendo. Na alturado gramado, uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes, corria e a tropa de choque avançava lançando bombas de concusão – Pablo explica que estas bombas são falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante – e de gás lacrimogêneo.

A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Forte cheiro de gás lacrimogêneo foi sentido pelos que estavam presentes no local e dezenas de pessoas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás. Pablo lembra de ter visto as professoras Graziela e Lizete, e os professores Thomas, Alessandro Soares, Cogiolla, Jorge Machado todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás.

A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, receberam a notícia de que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadi-lo de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Foi quando, o prof. Pablo recebeu a notícia que colega Thomas Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.

Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Chegaram informações de que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira arbitrária e vários estudantes haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive o professor Jorge Machado). O professor Pablo também relatou que pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito foram agredidos.

Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada. Os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação que recebeu é que dois funcionários do Sintusp foram presos, mas obteve relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.

Finalizando seu depoimento, o professor Pablo disse que se envergonha da universidade ser dirigida por uma reitora omissa que, alertada dos riscos (que ele mesmo diz ter avisado na última sexta-feira), autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário.

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